• Home  /
  • News   /
  • Mercedes-Benz inicia montagem em Iracemápolis com ritmo abaixo do previsto
Mercedes-Benz inicia montagem em Iracemápolis com ritmo abaixo do previsto iracemapolis_800x459 - Planta tem capacidade produtiva inicial de 20 mil unidades por ano | Crédito: divulgação Full view

Mercedes-Benz inicia montagem em Iracemápolis com ritmo abaixo do previsto

A Mercedes¬Benz abriu ontem a fábrica no interior paulista que marca a volta da produção dos carros de luxo da montadora alemã no país após quase seis anos.

No total, o investimento superou R$ 600 milhões, mais do que os R$ 500 milhões previstos no anúncio do projeto, em outubro de 2013, em razão da desvalorização do real, que encareceu as importações dos equipamentos das linhas.

O desafio será evitar a repetição da experiência malsucedida de 1999 a 2005, em sua primeira tentativa de produção local de automóveis, quando fabricou o compacto Classe A na unidade de Juiz de Fora, posteriormente convertida numa fábrica de caminhões.

Na época, o euro caro e um mercado acanhado que não condizia com as pretensões do grupo foram alguns dos obstáculos que levaram a Mercedes a encerrar a produção. A fábrica mineira, depois disso, ainda teve sobrevida de cinco anos montando em cadência bastante reduzida o sedã Classe C.

Hoje, o quadro mais uma vez é de alta taxa de câmbio, ao passo que o consumo de veículos premium no país, após driblar a crise e bater recorde no ano passado, dá sinais de inflexão.

Não é um cenário capaz de reverter os compromissos de longo prazo, como ressaltaram ontem executivos da montadora, mas suficientemente preocupante para a Mercedes rever a velocidade pela qual pretendia crescer com a fábrica instalada no município de Iracemápolis, 160 quilômetros distante da capital paulista.

Após participar da inauguração da unidade, o presidente da empresa no país, Philipp Schiemer, afirmou que, em função da crise, não vai implementar no ano que vem o segundo turno de produção, suspendendo o plano por tempo indeterminado.

A ideia era contratar cerca de 500 pessoas para trabalhar na segunda jornada em 2017, mas, no momento, a montadora não tem mais previsão de quando a fábrica passará a operar em dois turnos, como previa o projeto original. “Vai depender do mercado”, disse. “Não vamos mais acelerar a produção como planejávamos”.

Iracemápolis arranca, então, em apenas um turno, o que permite à Mercedes montar no máximo 12 mil automóveis por ano, menos do que a capacidade de 20 mil unidades pela qual a fábrica foi projetada. O Classe C, seu modelo mais vendido, inaugura a linha e, a partir do segundo semestre, o utilitário esportivo GLA também será nacionalizado.

Em 2015, com veículos importados, a Mercedes, com crescimento próximo de 50%, vendeu 17,5 mil carros de passeio no Brasil, melhor desempenho obtido pela filial nesse ramo, o que ajudou a amenizar a derrocada do negócio de caminhões. Este ano, contudo, começou negativo para a montadora, com queda de 23% dos volumes de carros no primeiro bimestre.

Executivos da montadora evitaram dar previsões de vendas da marca para 2016, mas Schiemer disse ver uma tendência de acomodação no segmento premium, depois do pico registrado no ano passado pelo trio alemão que encabeça esse mercado: Audi e BMW, além da Mercedes.

Nas contas da direção da Mercedes, as vendas das três montadoras devem ficar neste ano na faixa de 45 mil a 50 mil automóveis ¬ saindo de um volume que beirou as 51 mil unidades em 2015.

A unidade de Iracemápolis foi apresentada como uma das mais flexíveis das 26 fábricas de veículos da Mercedes no mundo. Ela começa com o Classe C e o GLA, mas é capaz de montar qualquer um dos 35 modelos de automóveis do portfólio da marca, graças a um menor nível de automação que torna as linhas menos engessadas.

“Estamos prontos para fazer mais modelos se o mercado demandar”, afirmou Markus Schäfer, membro do conselho de administração da matriz responsável pelas áreas de produção e logística.

O terceiro modelo, no entanto, não entrará em linha antes de 2019. Também não há, pelo menos por enquanto, planos de usar Iracemápolis como plataforma de exportação, mesmo a mercados vizinhos da América do Sul. “Ainda não faz sentido exportar daqui, o que não significa que não poderemos fazer isso no futuro”, disse Schiemer.

Fonte : Valor Econômico/Eduardo Laguna

Written by Ricardo

Related Articles

Deixe seu comentário