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Peugeot quer livrar-se do trauma do carro popular Novo Peugeot 3008 - Imagem Peugeot.com.br Full view

Peugeot quer livrar-se do trauma do carro popular

Em 2008, sete anos depois de instalar sua primeira fábrica no Brasil, a francesa Peugeot lançou o 207, um carro inspirado num modelo fabricado na Europa com o mesmo nome. A diferença é que a versão brasileira era mais simples. O plano era adaptar um automóvel europeu a um mercado emergente e disputar o segmento popular com montadoras que estavam aqui há muito mais tempo. Mas a participação da marca francesa no mercado brasileiro nunca foi muito além do 1,3% alcançado no mês passado.

Quase dez anos depois, o presidente mundial da marca, JeanPhilippe Imparato, reconhece que a estratégia foi errada e promete que, daqui para a frente, os carros Peugeot vendidos no Brasil serão iguais aos que rodam na Europa. “Não há razão para uma gama diferente. Não existe pequeno país, pequena região ou pequeno cliente”, afirma. Imparato trabalha no grupo PSA, ao qual pertence a Peugeot e a Citroën, desde 1991. Mas na época do lançamento da estratégia para alinhar a linha brasileira ao segmento popular ele era chefe de vendas da Citroën na Itália.

O executivo francês com descendência italiana diz que percebe no consumidor brasileiro várias semelhanças com o italiano, apaixonado por automóveis. Para ele, no entanto, o mercado brasileiro está demasiadamente focado no segmento dos automóveis populares. “Em muitos países os clientes que podem comprar carros querem produtos melhores, bonitos e estão prontos a pagar por isso”, diz.

Ao “esquecer sua história”, como diz Imparato, a Peugeot afastou-se do cliente. Mas isso não aconteceu apenas no Brasil. A nova estratégia prevê elevar, até 2020, a fatia das vendas fora da Europa, de 42% em 2016 para 50%. O Irã já é para a montadora um mercado maior que a França. Há poucos dias foi lançada uma nova picape na Tunísia e daqui a dez dias começa a ser vendida no mercado brasileiro uma van fabricada no Uruguai, em parceria com um produtor local, a Nordex.

A missão de seduzir o consumidor brasileiro está a cargo de Ana Theresa Borsari, diretora-geral da Peugeot do Brasil desde outubro de 2015. O reforço na área dos veículos utilitários é uma das metas. A van fabricada no Uruguai, chamada Expert, com capacidade para uma tonelada e meia de carga, conduz a Peugeot para um segmento do qual a marca não participava.

A empresa também renovou mais da metade da rede de concessionárias. Na tentativa de “acabar com o mito de que carros de marcas francesas desvalorizam mais”, diz a executiva, foi iniciado um trabalho de fidelização, por meio do qual o revendedor se compromete a comprar o veículo quando o cliente for trocá-lo por outro novo.

Em visita ao Brasil esta semana, Imparato jantou com os concessionários e ouviu várias histórias tristes da crise econômica. “Essas pessoas que viveram o inferno olham agora para o futuro com confiança”, diz.

O executivo prevê reverter os prejuízos no país em cinco anos. No Brasil, o grupo PSA produz veículos Peugeot e Citröen numa fábrica localizada em Porto Real (RJ), inaugurada em 2001. Em 2016, a PSA teve prejuízo de R$ 206, 3 milhões, segundo balanço publicado pela companhia no Diário Oficial do Rio. Segundo a empresa, o grupo é rentável na América Latina. Imparato diz que nessa indústria ninguém pode perder dinheiro. “Se perder está na hora de mudar o modelo de negócio”. afirma.

Na véspera de mudança da política industrial do setor automotivo brasileiro, o executivo francês apoia programas menos protecionistas. “Acredito que um grão de liberalização do mercado faria bem ao país”, afirma.

Fonte : Valor Econômico/Marli Olmos

Written by Ricardo

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