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Volkswagen tenta reconquistar simpatia do consumidor brasileiro A linha de veículos da marca será totalmente renovada em três anos. - Imagem meramente ilustrativa Full view

Volkswagen tenta reconquistar simpatia do consumidor brasileiro

O ano passado foi bastante difícil para David Powels, no comando da Volkswagen do Brasil desde 2015 e de toda a operação na América do Sul desde 2016. Uma polêmica briga com um fornecedor em torno de preços de peças suspendeu entregas de bancos, entre outros itens importantes, e obrigou a montadora a paralisar a produção nas quatro fábricas do Brasil várias vezes. Entre os muitos efeitos dessas paradas, a Volks, líder de mercado no passado, viu a participação no país cair para 6,9% em outubro.

Para piorar a situação, a filial brasileira sofreu os efeitos de um dos maiores escândalos da indústria automobilística mundial. O grupo Volkswagen foi o principal alvo de investigação que trouxe à tona uma fraude para falsificar testes de emissões em seus veículos. O chamado “dieselgate” obrigou a empresa a reparar milhões de veículos.

Mas agora Powels está disposto a virar a página e partir para a construção do que ele chama de “nova Volkswagen”. Não se trata de uma simples renovação de produtos, embora esse seja um ponto importante do plano. A linha de veículos da marca será totalmente renovada em três anos.

O plano é complexo. Trata-se, diz, de uma mudança de atitude. O executivo traçou uma série de metas para tornar a imagem da Volks “mais quente”, como ele mesmo diz. Powels reconhece que, com o aumento da concorrência e chegada principalmente de marcas asiáticas, nos últimos dez anos a Volks distanciou-se de um consumidor que no passado lhe jurava fidelidade eterna.

“Perdemos imagem e ficamos com um portfólio velho”, diz o executivo, com uma profunda dose de humildade. E o faz com grande pesar. A Volkswagen, seu segundo empregador, é responsável, diz, por três décadas de grandes oportunidades de um desenvolvimento profissional. Além da filial da Volks na África do Sul, onde exerceu várias funções, também trabalhou na Alemanha e Brasil, onde assumiu a vice-presidência de finanças durante cinco anos.

Seu primeiro emprego, de contador, foi na filial sul-africana da Delloite. Ali permaneceu durante três anos. Mas Powels, pertencente à terceira geração de uma família de Porto Elizabeth, descendente da mistura de ingleses belgas e holandeses, achava o trabalho em consultoria “muito chato”. Partiu para a indústria automobilística, de onde nunca mais saiu. A Volks no Brasil

Além da renovação da linha de produtos, que começa daqui a três meses com o novo Polo, Powels elaborou um projeto para o que chama de “latinização” da Volks. O ponto de partida foi sua promoção, há um ano, a presidente de toda a operação que reúne Brasil, Argentina e mais 27 países, incluindo o Caribe.

O grupo Volks era um dos poucos, entre as grandes montadoras, a não ter toda a região sul-americana sob comando de quem dirige a operação no Brasil. Até a nomeação de Powels para o cargo quem cuidava das vendas nesses países vizinhos ficava na Alemanha. “Muito longe”, diz o executivo. Por conta da distância, até hoje a marca amarga participação pequena, de 2%, nos mercados da região excluindo Brasil e Argentina, onde estão as fábricas. Agora Powels planeja elevar a fatia para 5% em três anos e para 7% a médio prazo.

Uma parte da expansão de vendas nesses mercados se dará por meio da renovação dos carros produzidos no Brasil e Argentina. A fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC, a maior, terá linha do Polo este ano e de um sedã derivado da mesma plataforma, o Virtus, previsto para o primeiro semestre de 2018. A unidade de São José dos Pinhais (PR) receberá versões picape e utilitário esportivo dessa mesma plataforma. E para a Argentina o executivo começa a pensar na produção de um novo utilitário esportivo.

A diferença em relação a lançamentos recentes, destaca o executivo, é que, embora as plataformas sejam globais, as preferências do consumidor brasileiro serão mais relevantes no desenvolvimento do desenho e conteúdo dos veículos. Powels também promete mudanças, que incluem custo de franquia, no relacionamento com os 545 concessionários da marca.

Na área trabalhista, o executivo comemora os contratos com validade de cinco anos, fechados em 2016 com cada um dos sindicatos que representam os 16 mil funcionários no Brasil. Segundo ele, esses acordos, que privilegiam, sobretudo, a flexibilização de jornada, foram imprescindíveis para a renovação da linha.

A chegada de novos carros suspende a necessidade de trabalhar com jornada reduzida. Há poucos dias, foi anunciada a volta da jornada completa, de cinco dias, na fábrica de Taubaté (SP). “Foi a primeira boa notícia dos últimos 30 meses”, destaca Powels. Segundo ele, quando a produção do Polo começar a jornada voltará a ser de cinco dias também em São Bernardo.

Segundo o executivo, a crise ajudou a companhia a montar uma estratégia de futuro. E com isso, em dois anos houve um ganho de produtividade de cerca de 25%.

Mas não é só em relação ao consumidor que Powels pretende tornar a Volks “menos fria”. Há algum tempo ele decidiu adotar no Brasil um programa que inventou quando era presidente da filial da África do Sul. O presidente faz visitas periódicas nas fábricas, nas quais conversa e até almoça com alguns operários. “Queremos ser uma companhia mais aberta”.

Fonte : Valor Econômico/Marli Olmos

Written by Ricardo

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